Sofia.procura.sofia


31/08/2010


O mito das super mulheres

Texto na Revista do Jornal O Globo

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra
, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias.

Cinco dias!

Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M..A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.


E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

Escrito por Sofia.procura às 11h48
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21/08/2010


Escrito por Sofia.procura às 11h19
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Escrito por Sofia.procura às 11h18
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XVII.

Sonia Pallone

"...E eis que veio a palavra...
O olhar sem tristeza...
O coração frio...
Na memória,
todo o filme
já, sem cor...

Tudo acabou-se ali,
sem olho no olho
sem revolta e sem afago
Apenas o adeus,
simbólico,
na despedida sem abraço..."

Escrito por Sofia.procura às 11h16
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XIII.

Neyde Noronha

Quero ficar, mas não posso.
Medito para não chorar.
Assim, tão de repente,
uma parte de mim quer ir,
a outra quer ficar.

Tantas idas sem volta,
regressos vão e vêm,
bem ou mal são regressos,
procura de acertos esquecidos.

Mão no peito, choro.
Agarro a dor sentida
que procuro entender
no silêncio;
e assim, tão de repente,
chega à despedida.

Escrito por Sofia.procura às 11h16
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X.

Malu Vives

Durante muito tempo
a vida vai tecendo encontros
onde as emoções
formam nosso emaranhado
novelo de afetos...
Durante muito tempo
aprendemos a conviver
tecendo agasalhos a quatro mãos
para cada estação do nosso crescimento.
Então nesse tempo
nos acostumamos a uma maneira
de tecer os fios da vida,
deixando de lado outros novelos
e mãos que concebessem
novos agasalhos.

Mas um dia, sem justificativa,
sem aviso prévio,
numa despedida sem abraço,
passamos a não ter mais
o agasalho que achávamos o certo
para cada estação.
Passamos a sentir um frio incômodo
que se origina no vazio
do nosso abraço ao relento
até entendermos que existem
diversas maneiras de tecer
novos agasalhos diferentes
que nos confortarão a cada estação.


Escrito por Sofia.procura às 11h15
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Despedida

 

IX.

Luiz Poeta


Aqueles que se vão sem despedida,
Escondem suas vãs fisionomias,
Mas deixam, no momento da partida,
A nossa vida muito mais vazia.

Na solidão da dor que nos embala,
Sentimos o seu toque sedutor...
Parece que passeiam pela sala,
Nos cômodos sutis do nosso amor.

Aqueles que se vão, levam consigo
Um tempo de ternura e sedução,
Mas deixam um olhar, um gesto amigo
Na vida, na mudez, no coração.

Aqueles que passam por nossa vida
E deixam saudades itinerantes,
Em nossas solidões mais doloridas,
Não foram simplesmente viajantes...

Vieram registrar em nossas almas
A calma, o humor, a alegria;
Merecem muito mais que nossas palmas,
Merecem mais que amor, mais que poesia.

Aqueles que se vão, não vão sozinhos,
Carregam nossa história na bagagem,
Mas deixam outra história no caminho
Que a gente guarda para outra viagem.

 

Visitem Luiz Poeta

 

www.luizpoeta.com

Escrito por Sofia.procura às 11h14
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Despedida

Despedida

Senti ali o começo.
Não sei de que começo, mas senti.
Era um abraço infinitamente longo,
dolorido,
leve, forte,
denso,
alegre, mas muito triste.

Era um abraço com gosto de eternidade,
deixando um perfume de nunca mais.

O abraço foi se diluindo em pedaços.
Lentamente os olhos se despregaram uns dos outros.
Os cílios marejados denunciavam o pranto
e as vozes trêmulas,
denunciavam a palavra final.


Gília Gerling 

www.gilia.com.br

gilia@gilia.com.br

Escrito por Sofia.procura às 11h13
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Ter ou não ter namorado

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção.
A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira:
basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.
Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico
ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas
e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz.
Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Escrito por Sofia.procura às 10h58
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08/08/2010


fetiches da moda

http://www.doqueelasgostam.com.br/blog/?cat=1

 

"Se esqueci de alguma coisa, me avisem..."

 

(blog recomendado)

 

 

 

 

Escrito por Sofia.procura às 21h06
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quando a sedução é um jogo declarado...

Escrito por Sofia.procura às 21h04
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