Sofia.procura.sofia


12/10/2010


O esquecimento


No País dos Lotófagos

Um dos episódios mais fascinantes e misteriosos da Odisseia de Homero é o da chegada ao País dos Lotófagos (os que comem a flor de lótus). Ulisses e seus companheiros levantaram ferro da costa da Trácia, desceram à costa do Peloponeso, ladearam os seus promontórios e navegaram para a costa ocidental de Ítaca. Ao décimo dia de navegação, desembarcaram então nessa terra de gentes amistosas que lhes deram de comer a flor de lótus. Os marinheiros ficaram todavia de tal maneira narcotizados que já não queriam saber de voltar para a sua pátria. Ulisses teve de levá-los à força para os barcos e ordenar que partissem com rapidez.

Alguns estudiosos tentaram localizar este país na Tripolitânia, no Noroeste da Líbia. Contudo, o mérito principal de Homero será sempre o de poeta genial e não o de geógrafo, historiador ou cronista: a muitas informações verdadeiras e rigorosas, o príncipe da poesia grega juntou uma boa parte de imaginação e de histórias populares. Por isso, o melhor será concluir que os Lotófagos da Odisseia não têm pátria no mundo real. Mas se este Povo é uma criação puramente lendária, tão imaginário como o Ciclope ou a feiticeira Circe, já a flor de lótus é bem real. Na Índia, é simultaneamente sagrada e útil. No 3º milénio a. C. já é referida como existente nas margens do rio Indo, onde é venerada pelos Hinduístas e Budistas: quando Buda nasceu, logo floriu uma flor de lótus na terra que ele tocou pela primeira vez. A ela se atribuem diversas qualidades relativas à saúde, sorte, beleza, fertilidade, divindade, ressurreição e pureza. Terá sido todavia o lótus do Egipto que serviu de inspiração para Homero. Os micénicos mantiveram contacto com os egípcios durante duzentos ou trezentos anos: os seus produtos chegaram ao Nilo e ao Assuão. Os comerciantes de Micenas tinham por isso muito que contar e entre os seus relatos estaria o de que os egípcios viviam de uma flor chamada lótus.

O carácter misterioso do lótus terá servido na perfeição os propósitos de Homero, cujo auditório escutaria tal história como se fosse realidade. E essa flor é apenas um de entre os muitos objectos mágicos que abundam nesta Odisseia: Helena tem um droga calmante, trazida do Egipto, que faz parar o sofrimento e a dor (IV, 219-232); Circe tem uma poção que transforma os homens em porcos; e, contra os seus efeitos, Hermes dá a Ulisses o môlu, a planta de raiz negra e de flor branca, muito dura para arrancar e que o deve preservar de todos os sortilégios e que por vezes é comparada à mandrágora (X, 302-306). Em Homero, o mágico, o belo e o exótico estão em todo o lado!

A chegada ao País dos Lotófagos é um dos exemplos mais frisantes da criatividade indómita de Homero, assim como do seu entusiasmo pela vida e compreensão da natureza humana. A ingestão do lótus provocava a amnésia e este esquecimento é uma ambição antiga: abre a possibilidade de começar de novo, de renascer, de apagar o passado. Quem de nós é que enjeitaria esta oportunidade de provar o doce lótus e com isso passar uma esponja sobre todos os males e erros do passado? Não surpreende por isso que só a muito custo é que Ulisses tenha conseguido arrancar os seus companheiros daquele estado de êxtase e fazê-los regressar: «e eu fui obrigado a trazê-los à força e debulhados em lágrimas para as naus; puxei por eles e atei-os ao fundo da embarcação, sob os bancos; e entretanto insistia com os outros companheiros que me tinham permanecido fiéis para que se instalassem depressa nas suas naves ligeiras, receando que algum deles ao saborear o lótus se esquecesse do regresso». Esquecer e começar de novo: é tentador, não é?

filákia, philo moi!

Escrito por Sofia.procura às 12h19
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10/10/2010



Sempre pensei que bastaria amar...mas para conviver é preciso mais do que amor.

Ele só não basta, a imagem que me vem com frequência à mente é a filosofia de um jardim.
O amor são as flores, mas elas precisam de fertilizantes, terra fértil, chuva, sol,  e cuidados específicos para vicejar.

O amor, assim como as flores, precisa de equilíbrio.


Qualquer excesso ou escassez, fará a flor sofrer e perder o viço, a beleza e a vida.



Assim é o amor, de uma beleza tão intensa que atrai pássaros, abelhas, borboletas, amantes apaixonados...


é tão transformador, que faz da terra árida um oásis, tão generoso, que doa sua beleza, seu perfume, sua perfeição, sua magnificência para a contemplação do universo...e paradoxalmente, flores e amores são tão frágeis que sucumbem à desatenção, à negligência, aos excessos ou à falta de cuidados.


Sublime é tê-lo, ilusão é aprisioná-lo...há de se considerar um raro privilégio tê-lo sentido em nossos corações.

Não queria que esta metáfora tivesse um sabor de despedida, mas ela tem...

talvez seja um aviso, para que no futuro, sejamos menos exigentes e perfeccionistas, esperando que nosso jardim seja repleto de flores exóticas e exuberantes...

penso que temos desprezado a beleza sutil e eterna das pequenas e delicadas flores do campo que por um ano inteiro, andamos colhendo em nosso jardim...


(por que elas não bastaram para você?)

"troco meu bouquet de orquideas por um campo de flores eternas"



pense, ok? eu não tenho feito outra coisa.

beijo


D.

Escrito por Sofia.procura às 11h55
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um campo de flores...

"

Io Che Amo Solo Te

C'è gente che ha avuto mille cose.

Tutto il bene,

Tutto il male del mondo.

 

Io ho avuto solo te.

Io non ti perderò,

Non ti lascerò

Per cercare nuove avventure

 

C'è gente che ama mille cose,

E si perde per le strade del mondo.

Io che amo solo te,

Io mi fermerò e ti regalerò

Quel che resta della mia gioventù.

 

C'è gente che ama mille cose,

E si perde per le strade del mondo

Io che amo solo te,

Io mi fermerò e ti regalerò

Quel che resta della mia gioventù.

 

Eu Só Amo Você

Há gente que teve mil coisas.

Todo o bem,

Todo o mal do mundo.

 

Eu tive só você.

Eu não te perderei,

Não te deixarei

Para procurar novas aventuras

 

Há gente que ama mil coisas,

E se perde pelas estradas do mundo.

Eu que amo só você,

Eu me deterei e te presentearei

Aquilo que resta da minha juventude.

 

Há gente que ama mil coisas,

E se perde pelas estradas do mundo.

Eu que amo só você,

Eu me deterei e te presentearei

Aquilo que resta da minha juventude.

 

Escrito por Sofia.procura às 11h42
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